Sobre a perfeição

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Uma foto perfeitamente imperfeita. Canon AT-1 – Kodak Ultramax 400 to 1600.

Como faço todos os dias, ligo o computador antes de começar a trabalhar e passo por posts do Facebook, novidades no Twitter, alguns portais e o amado e necessário Feedly (novo amor desde o final abrupto do relacionamento com o Google Reader).

Uma das leituras de hoje foi o post de um blog famoso por dar ~prêmios~ na internet criticando um blog sobre um casal feliz. O Dele e Dela é realmente legal, com textos bem escritos, mixtapes e, o que eu mais gosto: fotos lindas. Isso me basta como inspiração.

Mas o blog famoso quis dizer que isso era uma “fabricação”, que “não existe”, que “ninguém é tão feliz assim” e deixou no ar a pergunta do por que as pessoas tem a necessidade de criar a sua felicidade para a internet… “O que vale mais? Viver uma vida feliz ou aparentar uma vida feliz?

Existe uma porção de coisas que eu posso dizer sobre isso…

A primeira delas é: por que tem que ser mentira? Por que a sua vida não é tão boa assim (e talvez nunca seja) e você não consegue aceitar que alguém tenha essa vida feliz. Mas essa questão leva para o lado do ~recalque~, tão na moda nesta rede mundial de computadores, e eu não quero ser tão simplista.

Então vamos à segunda coisa: por que uma pessoa não pode mostrar apenas o lado bom da vida? Desculpa aê, mas não quero, nem acho que ninguém quer, ver brigas e mazelas da vida dos outros. Isso eu guardo pra mim. Isso está no privado. Agora, uma foto bonita, de um momento feliz, não me importo em dividir. Aliás, gosto. E divido porque gosto de ver os momentos felizes dos outros também. E quem não quer ver os momentos felizes… bem, não me siga. Simples assim.

A terceira coisa é: qual o problema de ser um casal feliz, minha gente? E por que tudo tem que ser tachado como “perfeito“? Me doí com o post, é verdade, por já ter recebido críticas semelhantes. Não vivo uma vida perfeita, não tenho um casamento perfeito, não tenho uma casa perfeita nem um gato perfeito. E nem digo que os tenho. Apenas tenho uma vida legal.

Se ao ver o conteúdo dos outros você acha que tudo é perfeito a conclusão é sua, e tão somente sua. E então, amigo, quem tem que lidar com os problemas é você, que está buscando a perfeição e que, de fato, nunca vai encontrá-la.

A vida é muito mais simples que isso.
As vezes a perfeição de um dia está apenas naquele pedacinho de chocolate delicioso, que você come nos cinco minutos de folga que a vida te dá.

Um bom dia

Dumpster

Foto: Darrel Brett. Holga 135, Kodak Gold 200 expirado.


Ainda estou assustada.

São 8h35 da manhã e há exatos 31 minutos atrás uma bomba estourou do meu lado.
Ok, não foi uma superbomba. Mas foi uma bomba.
Não perdi nenhum membro, não me machuquei… Mas não consigo parar de pensar que sim, poderia ter me machucado.

Estava caminhando em direção ao trabalho nessa manhã. Ao invés de subir pela r. Pasteur, como sempre faço, vim reto pela Buenos Aires e entrei na Silva Jardim. Na frente do prédio ao lado do escritório, uma caçamba.
Nessa caçamba, um menino.

Minha primeira reação foi pensar que era estranho uma criança na rua a essa hora, ainda mais mexendo em uma caçamba. Aí eu vi a fumaça… Ele saiu correndo… E só deu tempo de tampar os ouvidos e abaixar no sentido contrário.

O primeiro impulso foi… não fazer nada. Fiquei parada, olhando o piá indo embora, pensando “que P**** foi essa?” Fiquei com raiva, mas meu primeiro instinto foi de não ir atrás dele, pois se um piá que deveria ter uns 10 anos de idade tinha uma bomba às oito da manhã no bolso, sabe-se lá o que mais poderia ter!

Olhei pra rua, vi um carro de polícia, corri até eles e contei o que aconteceu. Descrevi o menino e corri pro escritório.
Não sei se pegaram ele. Espero que o peguem. Ele, o pai, a mãe e qualquer um que seja o (ir)responsável por uma criatura imbecil dessas estar solta na rua.

Mais de meia hora depois e eu ainda estou zonza… escrevi porque ainda não tinha conseguido começar a trabalhar.

Coloquei no blog porque… Bem, porque quis.
E é isso.