A primeira médio formato: Holga 120 CFN

Acho que agora começo a virar “gente grande” na fotografia analógica. Comprei minha primeira médio formato, um total mistério pra mim. Não tinha nem mesmo pegado na mão um filme 120 e agora estou fotografando – e já morrendo de medo do resultado.

Holga-8

Afinal, o que é médio formato?

Lembrando aqui que estamos falando exclusivamente de fotografia analógica (a digital também tem diferentes formatos, mas não falarei sobre isso), temos três tamanhos de filme: pequeno, médio e grande. O pequeno formato mais amado e popular é o 35mm – aquele que usamos na maioria das câmeras fotográficas, mas também temos o 16mm e o 110 (que pode ser usado nas novas câmeras Baby da Lomography). O grande formato produz fotos de alta qualidade, com tamanho 102×127 mm. Mais informações sobre ele você encontra nesse post do Queimando o Filme.

O médio formato pode ser 120 e 220 ou 1024 e 127, que é mais difícil de encontrar. O mais comum aqui é o 120, que produz fotos quadradas e é utilizado na minha Holga 120 e também na Diana F+. O 220 nada mais é do que o dobro do 120, ou seja, o 120 produz 12 fotos e o 220 tem 24 frames. Dito isso, vamos à câmera!

Holga-5

Holga: um clássico

A Holga é uma câmera chinesa, produzida no começo dos anos 1980, que se popularizou rapidamente por seu baixo custo. Ela é inteira de plástico, incluindo suas lentes. O modelo clássico é a 120, que era o mais popular na região, mas também é possível encontrar Holgas para fime 35mm.

Holga

Ela é conhecida por suas vinhetas e pela textura única que a lente de plástico garante as fotos. Além disso, costuma receber uma série de modificações por parte dos fotógrafos, como pinturas, fitas para evitar light leaks e até mesmo adaptações da 120 para filme 35mm.

Confesso que sabia pouco sobre a câmera e o primeiro contato foi engraçado… Senta que lá vem história!

Quando resolvi que ia comprar uma médio formato pensei, inicialmente, na Diana F+. Como já tenho a Mini, seria uma saída mais confortável e familiar – além de já ter o flash para ela. Confesso que o fato de só ter encontrado para comprar o modelo azul e preto sem o flash foi um dos fatores que me fez desistir. Queria outra câmera, e não a mesma em tamanho maior. Ok, eu sei que não é a mesma. Mas me perdoem por ser uma menina e querer uma câmera de visual diferente e colorido. Pronto, falei!

Isso + a Holga é muito clássica + desconto bonito no site da Lomography = Holga 120 CFN aqui em casa. :)

Unboxing: pra quê essa fita?

Juro que pensei em fotografar o unboxing – assim como a colocação do filme – para postar aqui no blog. Mas eu fiquei tão empolgada quando ela chegou que nem quis esperar. Parecia criança rasgando o pacote!

Qual não foi a minha surpresa ao encontrar uma fita adesiva dentro da caixa. Pois é, eu realmente não pesquisei quase nada sobre a Holga. Quando vi aquilo, corri para entender. Achei os mais variados tipos de colocação de fitas, cores diferenciadas e os porquês para usar ou não isso.

Holga-7

A fita é utilizada para evitar o vazamento de luz, que é comum na Holga. Encontrei algumas explicações sobre como os modelos mais novos sofrem menos (ou não sofrem) com isso, e resolvi que não colocaria a fita. Estou arriscando, mas quero ver o que sai. Coloquei apenas na parte lateral, para segurar os prendedores da tampa traseira, que são realmente frágeis – e a dica veio lá do grupo do Lomogracinha no Facebook. ;)

Detalhes

Apesar de não ser uma fã da iluminação artificial, é preciso dizer que um dos detalhes mais legais da Holga 120 CFN é o seu flash com filtros coloridos. Diferentemente da Diana, aqui temos os filtros embutidos, bastando rodar o botão na parte de cima da câmera para alterar entre azul, amarelo e vermelho.

Holga-6

A Holga também tem dois modos de exposição: sol (f/11) e nublado (f/8). Pelo que li, o mais recomendado é ISO 400, mas meus primeiros testes serão com ISO 100 por motivos de era-o-único-120-redscale-disponível-para-compra-e-eu-realmente-quero-testar-esse-fime.

Holga-4

O foco fica em quatro opções: retrato (1 metro), grupo pequeno de pessoas (2 metros), grupo grande (6 metros) e horizonte (10 metros até infinito).

Assim como a Diana, ela tem uma capinha para proteger a lente que pode ser facilmente esquecida, então, atenção especial para não perder nenhum frame. A Holga também pode fazer duplas exposições e para isso os filmes de ISO mais baixo são os mais indicados.

Como disse, minha primeira experiência com ela vai ser com um Redscale ISO 100, da Lomohgraphy. Comprei ele junto com a câmera, mas fiquei feliz de ver que o estoque de filmes médio formato da Livraria Cultura está bem abastecido – os problemas de não morar em São Paulo. =/

Agora já estou no quinto frame, fotografando devagar mas, ao mesmo tempo, muito curiosa para ver o resultado. Quando estiver pronto, vou compartilhar aqui. ;)

Quando o filme decepciona…

Uma das coisas que eu mais gosto da fotografia analógica é não saber exatamente o que você vai ver quando pegar o filme revelado. Isso cabe perfeitamente na filosofia Lomo, mas vale para todas as modalidades. As surpresas – para quem não trabalha com isso, como é o caso da maioria atualmente – são sempre muito bem vindas. Flares, desfoques, fotos que a gente não lembrava que tinha batido… Tudo isso faz parte do charme do processo analógico.

Porém, contudo, entretanto, isso nem sempre é positivo. Principalmente com câmeras “novas”, a revelação pode acabar surpreendendo negativamente, quando não sabemos ao certo como acertar a câmera ou utilizamos um filme e processo diferentes. As vezes, o resultado pode decepcionar. Muito. =/

Hoje foi assim. Peguei mais uma revelação da Agfa. Estava ansiosa porque fotografei em P&B e fiz vários testes de abertura, luz, flash e principalmente foco. Infelizmente, o resultado não ficou bom.

Usei um Ilford HP-5 ISO 400, puxado. Já usei muito esse filme com a Canon e os resultados foram razoáveis, não tinha reclamações. Mas dessa vez a combinação dele com a Optima 500 acabou não dando certo.

Fotos tremidas (em abertura 2.8, a velocidade automática da câmera não deu conta) e muita coisa fora de foco. Mesmo. Percebi que ela só é confiável para fotos de foco no horizonte, como algumas do primeiro post que coloquei aqui sobre ela, mas para retratos, mesmo utilizando o foco no modo indicado, o resultado ficou bem ruim.

Também não gostei da falta de contraste, das imagens chapadas…  E percebi que é realmente difícil pensar em enquadramento com ela. Enfim, tudo que tinha me animado na primeira experiência com a câmera agora me decepcionou. Bem, paciência. Vivendo e aprendendo.

Abaixo, algumas das fotos que eu não odiei (tanto)…

64750024

A foto clichê. Mas eu gosto. E sempre serve para marcar uma configuração utilizada.

64750032

O Ozzy, sempre modelo. Mas o foco está lá trás. =/

64750025

Di Cavalcanti no MON e a Pérola com sua Olympus Trip.

64750033

Os avós, sempre modelos. Pena que a foto ficou tão apagada assim… Não entendo. =/

64750038

E o antigo Mercado Municipal de Paranaguá.

Se alguém tiver uma luz do porque isso ficou tão assim… triste, por favor, compartilhe. No mais, a vida continua e já tem outro filme separado para utilizar na Agfa. Não vou desistir dela tão cedo.  ;)